O NOSSO PROGRAMA
Sob os mais fagueiros auspícios e sob a carinhosa solicitude de todos quantos nos lerem e nos ampararem na senda leal e vasta de nossas aspirações e de nossos intentos, eis que, debaixo da umbela do azul firmamento desta terra hospitaleira e boa, surge hoje à luz da publicidade o nosso modesto semanário, nascido tão somente da sinceridade de antigos anelos que nutrimos em prol da prosperidade e do futuro de Silvestre Ferraz.
Esta risonha localidade, que se engasta no diadema fúlgido das belezas deste incomparável e formoso Sul de Minas, tão celebrizada já pelos seus institutos de educação, pelas suas indústrias, pelo seu comércio, pelas suas fontes de produção, pelas suas riquezas agrícolas e pela harmoniosa e cativante fidalguia de seus ilustres filhos, bem merecia de nós, embora parcela mínima de seus batalhadores, este novo impulso, este movimento espontâneo, este agradável sacrifício.
Quem, como nós, de há muito se acostumara às sábias e prudentes lições deste povo heroico, agasalhando-lhe os desvelos e admirando-o nas suas diversas modalidades, virtuoso, altivo, circunspecto e honrado, não poderia quedar-se inativo ante a suave perspectiva desses empreendimentos que se desdobram, na consoladora evidência de empresas que se fundam, de reformas que se patenteiam, de construções que se movimentam.
Não foi, portanto, a vaidade jornalística que nos delineou os horizontes do ideal nobre que vinha ameigando os nossos sonhos e faiscando em nosso espírito, o qual agora, mercê das nossas aspirações e do valioso conforto que nos dispensaram vultos proeminentes desta vila, se traduziu na mais completa realidade.
Se fatores poderosos concorreram para este notável acontecimento, nós só os poderemos atribuir à validade incontestável desses incansáveis e valentes administradores, que se sacrificam pela evolução latente do nosso meio e desta sociedade adiantada e progressista.
Quem se embalar na doce fantasia de lucros prováveis e auferidos no mourejar de uma folha terá, por certo, de reconhecer nesse desdobrar das lutas e dos incessantes labores, que o jornalismo de nossa terra, longe de galardoar em dados pecuniários as vigílias, a perseverança e o esforço, as mais das vezes aniquila, exaure, empobrece.
Missão evangélica dentre os mais augustos sacerdócios, manancial cristalino donde promanam os caudais dos grandes doutrinamentos, tribunal sereno e majestoso, onde se debatem todas as causas da razão e da justiça, a imprensa há de ser sempre a pedra angular no alicerçamento de todos os ideais, coroando com a palma do triunfo, ou as mais das vezes com as angustias do martírio, o arrojo desses pioneiros que cerram fileiras ao lado dos que propugnam a regeneração dos costumes, a felicidade dos povos e o engrandecimento das multidões.
É assim que, imbuída na firmeza desses princípios, não alimenta a Folha Nova a estulta pretensão de conquistas pecuniárias, mas o desejo veemente de combater pelo engrandecimento deste futuroso município, que de há muito se ressentia da grave falta de um jornal que, se não com tanta galhardia, prosseguisse, palidamente ao menos, nas gloriosas tradições e nos assinalados serviços de sua inolvidável antecessora.
Com programa definido e meditado, o semanário que confiamos hoje à benevolência de seus caros leitores e assinantes, não traz em sua base a menor parcialidade política.
Criada com a intransigência e o inquebrantável escopo de, tanto quanto couber em suas forças, propulsionar todas as nossas iniciativas de progresso e de bem estar, ela se encontrará sempre ao lado dos ilustres dirigentes do município, como órgão da opinião pública, como arauto de sua benemerência e como sustentáculo de todos os feitos, de todas as energias e de todos os grandes cometimentos.
Adversária intransigente do baixo anonimato e das recriminações estéreis, não aceitará ela, em seus editoriais e em suas colunas, artigos aleivosos, escritos ofensivos e incendiários. Será um jornal de paz, de ordem e de trabalho.
Para a execução cabal de nossa tarefa, espera a Folha Nova o indispensável concurso de esclarecida colaboração e essa proverbial gentileza de todos os prezados confrades da santa cruzada da nossa patriótica e digna imprensa mineira. E nós, por nosso lado, sem desfalecimentos, procuraremos cumprir o nosso dever e realizar o nosso elevado propósito.
Estes são, pois, os elementos e as sólidas esperanças, com que o nosso jornal, em rápido escorço, confiante e esperançoso, se apresenta à simpatia, ao amparo, à generosa confiança de seus distintos amigos e assinantes.
E, em resumo, seja ainda o primeiro número da Folha Nova o fiel mensageiro das nossas homenagens aos respeitáveis colegas e a todos aqueles que bondosamente nos distinguirem com a sua preciosa estima.
Américo Pena
Diretor
NÚPCIAS
Realizou-se, no dia 31 de dezembro, o enlace da gentil senhorita Stella Ribeiro Junqueira, com o sr. Joaquim Augusto dos Reis Junqueira, na encantadora e pitoresca fazenda do nosso venerável amigo, Cel. Francisco Ribeiro Junqueira, mui carinhoso avô da senhorita Stellinha.
Para assistirem a esse cerimonioso, quão nobre ato, concorreram muitas e distintas pessoas de localidades diversas e o fino escol de Silvestre Ferraz.
O enlace matrimonial realizou-se à 1 hora da tarde, tendo sido feito pelo Cônego Antônio Gomes de Faria Nogueira. Como padrinho, teve a noiva o Sr. Joaquim Ribeiro Junqueira e o noivo, o Sr. Gabriel Ribeiro dos Reis.
Após o ato religioso, teve lugar o civil, pelo Sr. Domingos Ribeiro Franqueira, juiz de paz em exercício. Como testemunha, teve a noiva o Sr. Joaquim Ribeiro Junqueira e o noivo, o Sr. João Tibúrcio Junqueira.
Às 5 horas da tarde foi servido um lauto banquete. Os vastos salões e as mesas se achavam garridamente ornadas de flores naturais, que lhes davam um aspecto magnífico. No banquete foram trocados amistosos brindes.
Via-se em todos os semblantes alegria e notava-se a liberdade que todos tinham no seio dessa generosa família, que timbra em ser agradável e atenciosa.
À mesa de doces, que foi servida logo depois do jantar, falou o Cel. Jeronimo Guedes Fernandes, que, com brilhante oração, saudou os noivos e cumprimentou o Cel. Francisco Ribeiro Junqueira, assim como a sua distinta família. Em seguida, proferiu um belo discurso o nosso jovem conterrâneo e talentoso promotor em São José do Além Paraíba, o Dr. Antônio Augusto Junqueira, que saudou os noivos.
Às 7 horas da noite foi dado início ao sarau dançante, que se prolongou até às 6 horas da manhã deste novo ano. Aí notamos o gosto com que se trajavam as senhoritas e o modo gentil e gracioso com que recebiam os moços que lhes ofereciam os braços para as animadas contra-danças.
A essas venturosas núpcias, concorreram mais de 300 convidados!
Que os distintos noivos passem uma vida longa e deliciosa são os ardentes votos que fazemos, aproveitando também a ocasião para apresentarmos sinceros parabéns aos bons e distintos amigos, Cel. Francisco Ribeiro Junqueira e Cel. Domingos Teodoro Junqueira.
CENTENÁRIO
Silvestre Ferraz, o pitoresco Carmo do Rio Verde de outrora, vai completar um século de existência este ano. Ao outro dia, dia 1º de janeiro, às 8 horas da noite, sons festivos subitamente cortaram o coração da noite. Era o hino nacional, entusiasticamente tocado pela banda musical Sagrado Coração de Jesus. Vivas atroados sem cessar enchiam o silêncio da noite. E a nova correu logo: Silvestre Ferraz completava um século!
Mas enganou-se o precipitado bairrismo de nossos conterrâneos: só em setembro é que terá lugar esse auspicioso acontecimento. Os filhos de Silvestre Ferraz não poderão permanecer indiferentes ante tão grata efeméride. Será mister celebrá-la com grandes festas. E nós aventamos uma ideia: a publicação de uma polianteia, exaltando a terra que se faz recomendar pela sua cultura intelectual e bondade de seus habitantes.
JOÃO LOMÔNACO
Este nosso distinto conterrâneo e antigo diretor da extinta “Procelária”, colocou-se admiravelmente na praça de São Paulo, como representante da importante casa importadora de ferragens e outros artigos, de Luiz Ferreira & Cia.
A zona que lhe designaram foi a Sul Mineira, onde este nosso amigo é conhecidíssimo e goza de geral estima e consideração.
AS OFICINAS DE SOLEDADE
Corre pela zona um boato, que oxalá se traduza em realidade: a transferência das oficinas da Rede Sul Mineira, de Soledade para esta vila.
Pretende, a digna diretoria da estrada, fazer aquisição de um extenso e plaino terreno ao lado da estação, para mais amplamente montar uma oficina modelo.
Não seja esse consta um rebate falso, que nós, de braços abertos, receberemos mais esse melhoramento para o próspero e encantador Silvestre Ferraz.
PRIMAVERA MORTA
-Eis que o último sabiá canta! disse ela.
Estávamos à janela que caía para o quintal. Sob o céu nublado de dezembro, os pessegueiros tinham uma atitude de frio e cansaço e as laranjeiras, de frutos verdes e folhas muito lustrosas, pendiam os galhos orvalhados de chuva.
A poucos passos, era a casa do poço e, adiante, seguiam monotonamente velhos lanços de muro, e seguiam outros quintais, onde a vegetação cantava todas as nuances do verde, desde o verde claro das bananeiras até o verde escuro dos laranjais; além, uma várzea tristonha de beira de rio, povoada de capitubas ásperas e raramente alegrada de uma copa robusta de pitangueira; e acima, à raiz de uma colina, o vulto claro de um chácara, cercada de bambuais e coqueiros; depois, a risca vermelha de um valo; e o morro vai-se, pouco a pouco, fazendo escarpado; uma estrada abandonada galga-o até o cimo, a confundir-se com o céu, sempre bordada de árvores… E, de vez em quando, na monotonia do verde dos pessegueiros, dos limoeiros, das laranjeiras, das figueiras, das amoreiras, tetos repontavam das folhagens, muito vermelhos…
Asilado numa ramagem de laranjeira, perto, o sabiá cantava.
Ora era um hino triunfal de notas claras, como se o cantor celebrasse a vida magnífica, que se chama alternadamente primavera, amor, mocidade, seiva, que subitamente transforma as ruínas em hortos, os desertos, em fragrantes jardins, onde, numa revivescência brutal e pagã, os desejos e os apetites refreados renascem; mas, pouco a pouco, as notas de prazer se ralentavam, convertiam-se num tristonha cantilena, onde se pressentiam as lágrimas, os suspiros e as lamentações de uma dor invencível e zombeteira, que vem logo após a alegria dos perfumes, dos sons e das cores, semeando ruínas e desenganos; por fim, desapareciam os últimos acentos do hino, e o canto era, de todo, uma dolorosa despedida.
-A primavera se vai… disse ela. Esse sabiá, o último enamorado da deusa que acaba, entoa o seu réquiem…
Pelos velhos muros as roseiras florescem as últimas rosas, as pétalas, de cor de cera, a meio desbotadas das chuvas; e pelo cemitério, sobre os cômoros e charcos, fana-se a floração doentia dos amores perfeitos, dos girassóis, dos goivos, das sempre-vivas, que, no dizer singelo da lírica popular, têm a cor que simboliza desespero.
É o estio que chega, com uma pletora inexcedível de vida; mas uma vida brutal e sem encanto, sem perfume, feita dos cadáveres das coisas mortas. É passado o império da cor alegre, do perfume.
Mas, em compensação, que seiva potente a explodir por toda a parte, a prometer a fartura das messes! Olha o verde moço dos pessegueiros e das laranjeiras, olha os milharais como investem bravamente os socalcos das colinas, onde, ao sol e à chuva alternados deste abominável dezembro, as enxadas ressoam ao compasso melancólico dos mutirões.
Em breve os frutos virão das flores que a primavera pôs nas árvores: nas matas serão os amarelos araticuns e os vermelhos joás e, nos pomares, os pêssegos róseos, de uma maciez aveludada que tem a carne moça, e a uva purpúrea a sair das parras verdes, animista, incitando desejos adormecidos e revivendo sonhos magníficos, como naqueles felizes tempos em que a imaginação fazia ver em cada moita um fauno, em cada fonte clara uma napeia.
Celebrem outros os encantos do estio ardente. Eu preferira a primavera eterna, como os poetas, as admiráveis crianças: “Antes vissem, querida, os nossos olhos, as flores que eram o berço desses frutos.”
–Lembras-te quando chegou a primavera, o que então se via?
-Sim;mas, fala, fala amável evocadora!
-Era agosto; fazia frio todas as manhãs, e a terra era um lençol de geada, sob a doçura do céu azul!
Mas, um dia, as labaredas das queimadas subiram ao ar e as montanhas recobriram-se do véu impenetrável e azul do fumo. Lembras-te do encanto incomparável daquela manha? Foi uma surpresa ao descerrar-se a janela: os pessegueiros estavam todos enfiados em túnicas róseas e havia um coro furioso de sabiás por todas as frondes circunjacentes, sob a luz casta da estrela da manhã, que ainda brilhava. A primavera chegara.
A deusa aportara à terra de surpresa e a água dos riachos cantou mais concertada, o cantar dos pássaros se fez mais harmonioso, a cor aprimorou-se, o perfume adquiriu a intensidade encantadora da vida. Lembras-te, lembras-te? Agora a primavera se vai. Este sabiá, o único fiel que lhe restou, canta-lhe os últimos instantes da vida! Só a ele, em meio da multidão alada, era dado, no canto triste, celebrar-lhe os encantos que se vão. Para eles vai começar o império do silencio. Já ouviste um sabiá cantar extemporaneamente? Eu já ouvi algumas vezes. É a saudade que faz a ave humilde infringir a proibição, mas o canto cessa logo.
Ela se calou… Uma pancada de chuva sobreveio e o sabiá cessou o canto. Passou a chuva rápida e um sol, enfermiço e amarelo, inundou a terra encharcada; e nas frondes reverdecidas as cigarras cantaram asperamente a chegada do estio ardente.
Autor: Eugênio Rubião
EIS A QUESTÃO
A bondade, o amor e a tolerância, emfim, o conjunto das virtudes da velha moral, constituem o tipo ideal do homem bom.
Mas, convenhamos que quando esse tipo ideal desce do éter das idealizações, se acha numa posição esquerda, e mesmo um tanto ridícula, no nosso meio social, embora civilizado.
Mete-se esse homem numa especulação? Sai prejudicado.
Se é credor, podem crer que dele os devedores se lembrarão em ultimo lugar.
A sua filantropia é paga com ingratidão.
Rico, exploram-no; pobre, desprezam-no; de sorte que, em última instância, não pode fugir ao desprezo.
Ninguém o teme nem o ama, é uma especie de animal obscuro e inofensivo, pelo qual não nos interessamos.
A sanha do tigre merecerá sempre mais nossa admiração, que a mansidão do cordeiro. Para o perverso, o agressivo, o esperto, para tudo o que tem acume que fere ou manhas que enredam, dirige-se a nossa vista ofuscada; o convívio com esses envaidece e conforta; e como todos procuram acostar-se à força, não lhes faltarão partidários dedicados.
Todos pregam a bondade, mas vivem a explorar os bons; e entre a lição e o exemplo, o exemplo edifica mais…
Qual a explicação dessa anomalia?
Será que a maldade é a única virtude imanentemente humana?
O bom será um degenerado e a bondade um sintoma infalível da inferioridade ou decadência?
Ser muito bom será ser muito tolo?
E será a bondade o primeiro degrau da escala da imbecilidade?
Autor: Godofredo Rangel
CINEMA GUARANI
A empresa Carvalho & Filhos, do Cinema Guarani, não poupa sacrifícios para proporcionar ao público espetáculos agradáveis, exibindo filmes de alto valor artístico e de acreditados estúdios.
Por todo este mês ainda, os amantes desse gênero de diversão terão ensejo de apreciar o Quo Vadis, Comboio n. 6 e outros filmes de valor, que a empresa já solicitou da casa fornecedora.
Resta que o nosso povo concorra a essa casa de espetáculos, coroando assim os esforços dos dignos empresários do Cinema Guarani.
Hoje, magnífico espetáculo com um atraente e caprichoso programa.
CADEIA PÚBLICA
O acanhadíssimo cômodo que serve de cadeia, nesta vila, está num estado de franca miséria.
De há muito que os poderes dirigentes do município reclamam do Governo a construção de um prédio decente.
Há questão de meses, por aqui andou um engenheiro que, examinando esse pardieiro, fez ciente o Governo da necessidade da construção de um novo edifício para cadeia. Passam-se os tempos, e agora o mesmo engenheiro volta, por ordem do Governo, a examinar novamente. E tudo isso porque?
Porque daqui oficiaram ao Governo, dando a entender que a construção de um prédio era coisa dispensável, pois com duzentos e poucos mil réis consertava-se o pardieiro e estava tudo remediado!
Diabo leve o pobre que até no pedir se faz miserável.
JARDIM
Agora, sim, a conservação das árvores no jardim será uma realidade. Os pobres arbustos ficaram livres de assaltos constantes dos cabritos, dos animais, das pedradas e desgalhamentos por parte da meninada incorrigível e dos malfeitores.
A Câmara mandou cercar todo o largo com o tecido “Pagé”. Só os postes rústicos. que amparam o tecido, não são lá muito apropriados e decentes para uma praça tão transitada.
Também, não se pode exigir tudo de uma só vez, e nem Roma se fez num dia… Havemos de ter belo gradil, bom coreto para a música e caprichosos canteiros com flores. Devagar se vai ao longe.
BOAS FESTAS
À graciosa senhorita Maria Fernandes, dileta filha de nosso particular amigo Cel. Jerônimo Guedes Fernandes, agradecemos o delicado cartão de Boas Festas, dirigido a redação da Folha Nova.
JOÃO MOREIRA DE ANDRADE
A fim de prosseguir em seus estudos, seguiu para a Capital Federal, onde fixará por algum tempo a sua residência, o nosso jovem e talentoso amigo João Moreira de Andrade, filho do estimável cavalheiro Fernando Moreira, digno coletor estadual e federal, desta vila.
Dr. SIZENANDO DE FREITAS
Regressou do Rio de Janeiro, onde foi tratar de negócios referentes à Escola de Farmácia desta vila, da qual é o diretor técnico o conceituado clínico desta vila, Dr. Sizenando de Freitas.
MELHORAMENTOS URBANOS
Nossa terra vai conhecer uma nova era de prosperidade material e industrial. Este ano terá luz elétrica, rede de esgotos e aumento de água potável.
A Escola Agrícola, proficientemente dirigida pelo sr. Cel. Jerônimo Guedes Fernandes, vai ser instalada em prédio próprio, cujas obras serão atacadas por todo este mês. A vida fabril, que tanto impulso dá às cidades, começará com a instalação da luz elétrica. Brevemente vamos ter uma fabrica de banha. À frente desse útil empreendimento está o operoso moço Domingos Ribeiro Franqueira.
O distinto cavalheiro sr. Francisco Altomare acaba de introduzir sensíveis melhoramentos na sua acreditada fábrica de manteiga, com o assentamento de uma turbina, que fará mover todo o maquinismo. Para fechar a chave de ouro de tantos melhoramentos magníficos, vamos ter uma Casa de Caridade. Já excede a oito contos de réis a quantia angariada para a fundação de tão filantrópica instituição. Silvestre Ferraz progride, não ha duvida!
HÓSPEDES ILUSTRES
Acham-se nesta vila os distintos cavalheiros Cel. Domingos Junqueira e Dr. Antônio Ribeiro Junqueira, aquele, importante fazendeiro em Porto Novo e o último, promotor em São José d’Além Paraíba e nosso talentoso colaborador.
CHALÉ PROGRESSO
O sr. João Maria Junho transferiu a sua bem montada loja de barbeiro da rua Cel. José Antônio para o antigo chalé do Pena, em frente à casa de negócio do sr. Antônio Pedro Ferreira.
CÂMARA MUNICIPAL
Na reunião última da Câmara Municipal, além de outras deliberações, reclamações atendidas e mais expedientes, foram aprovadas as contas do ano findo, apresentadas em relatório pelo seu digno presidente, Cel. Francisco Isidoro da Silveira Pinto.
Por essas contas verificou-se que a receita do município, com o saldo que vinha do ano anterior, atingiu a soma de 26:944$502 réis e a despesa a 27:480$370 réis, sendo:
obras públicas: 11:564$020;
limpeza pública: 703$700;
conservação d’água: 190$300
estradas públicas: 512$450;
socorros públicos: 71$400;
eventuais: 1:961$860;
juros de empréstimos: 9:269$255;
empregados: 1:516$410;
porcentagem da arrecadação da colectoria e fiscais: 958$035
Passou, portanto, para o presente exercício, um deficit de 485$868 réis. Esse deficit é proveniente duma parte da receita que ainda não foi arrecadada.
Todas as verbas de despesas foram autorizadas pela Lei do Orçamento, que vigorou no exercício findo. Foi, também, nomeada uma comissão especial para estudar mais de perto as modificações que devem ser feitas no perímetro da sede, atendendo assim a Câmara a algumas reclamações de contribuintes que se julgam prejudicados.
Por nosso turno, cabe apresentarmos parabéns à Câmara Municipal pela correta direção e orientação que tem tido, já pela fiscalização de seus impostos, apresentando agora uma receita como nunca foi apresentada, já pelos sucessivos melhoramentos que tem propulsionado ao nosso município.
AS NOSSAS OFICINAS
Vieram à nossa casa de trabalhos felicitar-nos pelo primeiro número da Folha Novas e pela aquisição da tipografia os seguintes cavalheiros:
Cel. Jerônimo Guedes Fernandes, Antônio Porto, Dr. Jonatas Monteiro, Francisco Xavier Nogueira de Faria, Genaro Junho, Fernando Moreira, Antônio Coli Filho, José Pedro Junqueira, Manoel Pinto, José Maria Junho, Jorge Pereira, Eugênio Rubião, Gabriel Ferrer Filho, Rafael Filardi, José Leonardo da Costa, Carlos Severiano Nogueira, Nestor Ferrer, João Maria Junho, João Batista Agostinho, Francisco Campos, José de Paula Garcia, Francisco S. da Silva, Cel. Francisco Isidoro da Silveira Pinto, Luiz Miguel de Almeida, Cassiano de Araújo Júnior, Cap. Gabriel de Araújo, Dr. Sizenando de Freitas, Orlindo Duguet Carvalho, Alcídio Porto, Gorgulino Garcia, Menezes Júnior, Fausto Carneiro, Júlio Ribeiro Vieira, Leopoldo Ribeiro Vieira, Domingos Gomes Franqueira, Álvaro Gomes Franqueira e outros. O nosso diretor, desvanecido, agradece tantas provas de amizade e consideração.
Cap. ANTÔNIO DE OLIVEIRA CASTRO
Faleceu, em Baependi, onde gozava de geral estima e consideração, o respeitável cavalheiro Cap. Antônio de Oliveira Castro, virtuoso pai da Sra. Mariana de Oliveira Moreira, digna esposa de nosso particular amigo Fernando Moreira, coletor nesta vila.
Nossas condolências.
ANIVERSÁRIO
No dia 7 do corrente, completou mais um risonho aniversário natalício a graciosa Maria, dileta filhinha do Sr. Cassiano de Araújo Júnior.